Análise de Maria Eduarda · 6 de outubro de 2026
Publicar um artigo tornou-se muito mais fácil. Podemos pedir uma estrutura, gerar parágrafos e ter um texto pronto em poucos minutos, com a ajuda do Chat GPT ou do Claude. Para uma empresa com pouco tempo, a promessa é tentadora: mais conteúdo, menos trabalho e, idealmente, mais clientes.
Mas, antes de avançar com esta produção, é preciso responder a isto: o que ganha a pessoa que vai ler?
Entre as novidades de SEO que acompanhei nas últimas semanas, o spam update de setembro chamou-me particularmente a atenção. É uma oportunidade para falar de uma decisão que muitas empresas estão a tomar: produzir mais conteúdo com inteligência artificial, por vezes sem perceber o que estão a acrescentar ao site e ao negócio.
O que sabemos sobre a spam update de setembro de 2026
O Google anunciou uma atualização dos seus sistemas de combate ao spam em 24 de setembro de 2026. Segundo fonte oficial, esta atualização aplica-se globalmente e a todos os idiomas. A implementação pode demorar até duas semanas. À data desta análise, 6 de outubro, ainda não está anunciada a sua conclusão. Fonte: Google Search Status Dashboard.
Este anúncio não identifica os conteúdos com IA como alvo específico desta atualização. Por isso, seria precipitado concluir que um site perdeu posições por ter usado inteligência artificial.
Existe, contudo, uma orientação clara nas políticas do Google: produzir muitas páginas com o objetivo principal de manipular posições, oferecendo pouco valor a quem lê, pode constituir abuso de conteúdo em escala. A utilização de IA para gerar essas páginas é um dos exemplos apresentados. Fonte: políticas de spam do Google.
Para uma empresa, o risco merece atenção. Um conteúdo pode consumir pouco tempo a produzir e continuar a ser um mau investimento: ocupa o site, exige manutenção e pode transmitir informação errada ou uma imagem genérica do serviço.
Inteligência artificial é importante quando bem utilizada
A IA integra o meu trabalho. Uso-a como apoio à pesquisa, para explorar ideias e, por vezes, durante a revisão. Vejo utilidade em ferramentas que ajudam a organizar informação e a fazer perguntas que ainda não tinha considerado.
Também há uma utilização que me interessa particularmente: perceber o que devo evitar.
Uma resposta genérica pode mostrar-me os argumentos previsíveis, as expressões repetidas e os pontos que qualquer concorrente poderia publicar. A partir daí, procuro o que falta: conhecimento do negócio, experiência, informação concreta e uma perspetiva que ajude o leitor.
Isto exige trabalho. O que distingue uma empresa está naquilo que sabe, no que faz e na diferença que o seu produto ou serviço consegue trazer à vida das pessoas. Este conhecimento precisa de estar nos conteúdos.
Um texto correto ainda pode ter pouco para oferecer
Imagina uma empresa de remodelações que publica um artigo sobre escolher um profissional. Recomenda comparar propostas, consultar avaliações e confirmar a experiência. São conselhos razoáveis. Mas o leitor provavelmente já os conhece.
O artigo ganha outra utilidade quando explica o que comparar nas propostas: materiais, trabalhos excluídos, responsabilidades, prazos ou condições de pagamento. Pode ainda mostrar uma situação concreta em que uma diferença no orçamento corresponde a uma diferença no serviço.
Este exemplo ilustra a pergunta que faço durante a revisão: depois de ler, a pessoa consegue tomar uma decisão mais informada?
No dia 1 de outubro de 2026, o Google atualizou as orientações sobre conteúdos com IA, acrescentando referências às diretrizes dos avaliadores de qualidade. A documentação recomenda a verificação humana dos factos e dos metadados, incluindo títulos, descrições, textos alternativos e dados estruturados. É uma atualização de orientação. Fonte: orientações do Google sobre conteúdos com IA.
Se o site perder posições, começo pelo diagnóstico
Quando um cliente perde visibilidade ou contactos, procuro perceber o que mudou. Uma atualização do Google entra nessa análise, juntamente com o estado técnico do site, os conteúdos e os dados de desempenho.
É uma quebra generalizada ou concentrada em algumas páginas? Diminuíram as impressões ou os cliques? Existem problemas de indexação? Houve alterações recentes no site? A procura pelo serviço mudou?
Se a quebra estiver nos contactos, é preciso verificar também o percurso até ao pedido: os formulários funcionam? A medição está correta? As visitas chegam às páginas certas?
Só depois faz sentido decidir o que ajustar. A resposta pode passar por rever conteúdos, esclarecer a oferta ou corrigir um problema técnico. Mexer em tudo sem diagnóstico dificulta perceber a causa e avaliar o resultado das alterações.
O que esta notícia deve levar uma empresa a rever
A minha conclusão é simples. Publicar mais, sem critério, pode prejudicar mais do que ajudar uma empresa.
Se a tua empresa está a produzir conteúdo com IA, pergunta o que cada página acrescenta. Uma explicação útil, um exemplo real ou uma resposta baseada na experiência da equipa pode justificar a sua publicação. Cumprir um número de artigos, por si só, diz pouco sobre o valor desse trabalho.
Acompanho regularmente as mudanças na pesquisa para avaliar o que merece atenção em cada projeto. Esse acompanhamento ajuda-me a tomar decisões com contexto e a cuidar do SEO para além do momento de publicação.
Se tens dúvidas sobre os conteúdos do teu site ou uma quebra de visibilidade, a minha consultoria de SEO pode ajudar-te a identificar prioridades e a perceber o que precisa de ser melhorado.
Perguntas Frequentes
O Google penaliza todos os conteúdos criados com IA?
Não. As políticas identificam como abuso a produção em escala orientada para manipular posições, com pouco valor para o utilizador, independentemente da forma de criação.
Uma queda de posições significa que fui afetado pela spam update?
Não necessariamente. É preciso analisar as páginas, consultas e datas afetadas e verificar outras causas antes de estabelecer essa ligação.
Devo apagar os artigos produzidos com IA?
Começa por avaliá-los. A decisão de manter, melhorar, consolidar ou remover deve considerar a utilidade, a exatidão e o papel de cada página no site.






