Análise de Maria Eduarda · 12 de outubro de 2026
O Google terminou a spam update a 8 de outubro de 2026, depois de uma implementação iniciada a 24 de setembro. A confirmação está no painel oficial do Google. Notaste uma quebra nas visitas ao teu site? Será que a atualização mexeu com o teu posicionamento nos resultados do Google?
Se isso aconteceu, então a situação merece uma investigação mais profunda.
Até agora, não identifiquei uma quebra abrupta associada a esta atualização nos projetos de SEO que acompanho na Maria Escreve. Trabalho conteúdos pensados para esclarecer dúvidas reais, com conhecimento do negócio e revisão humana. Contudo, apesar da qualidade do trabalho desenvolvido a nível de SEO, nenhum site fica blindado às oscilações que acontecem.
Uma queda de visitas pode fazer parte do negócio
Nos negócios sazonais, acompanho oscilações que têm uma explicação ligada à procura. Comparar um mês forte com um mês habitualmente mais fraco pode criar um alarme desnecessário.
O guia do Google para investigar quedas de tráfego recomenda analisar um histórico alargado e comparar períodos semelhantes. No Search Console, os últimos 16 meses ajudam a perceber se o padrão já aconteceu no ano anterior. O Google Trends pode complementar a análise da procura.
Uma posição relativamente estável com menos impressões pode ser compatível com menor procura, mas precisa de confirmação nas consultas relevantes. A média do site pode esconder situações diferentes.
Como investigar uma queda no Search Console
Se houver uma quebra inesperada, esta é uma sequência de diagnóstico que recomendo, alinhada com a documentação do Google:
- Localizar o início. Comparar períodos com a mesma duração e dias da semana equivalentes. Para esta atualização, separar o período anterior a 24 de setembro, a implementação até 8 de outubro e o período posterior. Nos primeiros dias, a leitura continua provisória.
- Encontrar as páginas afetadas. Ordenar pela diferença de cliques. A perda vem de todo o site, de um grupo de artigos ou de uma página importante?
- Analisar as consultas. Ver quais perderam impressões, cliques ou posições, mantendo os filtros de país, dispositivo e tipo de pesquisa consistentes.
- Verificar o estado técnico. Consultar a indexação, inspecionar URLs afetados e confirmar alterações recentes, redirecionamentos ou bloqueios. Ver também os relatórios de segurança e ações manuais.
- Cruzar com a procura e o negócio. Confirmar sazonalidade e perceber se diminuíram os contactos relevantes.
Uma ação manual e uma alteração algorítmica são situações diferentes. Um relatório de ações manuais vazio não exclui efeitos dos sistemas automáticos do Google. O diagnóstico deve reunir vários sinais antes de apontar uma causa.
O que os dados podem estar a dizer
| O que observas | O que pode explicar | O que verificar primeiro |
|---|---|---|
| Menos impressões e cliques, com posições semelhantes nas principais consultas | Menor procura ou sazonalidade | Comparar com o mesmo período do ano anterior e consultar o Google Trends |
| Impressões semelhantes, mas menos cliques | Alterações nos resultados de pesquisa, no posicionamento ou na atratividade do resultado | Analisar CTR, posição e os resultados apresentados para as consultas afetadas |
| Quebra concentrada numa página ou grupo de artigos | Problema técnico, mudança de intenção de pesquisa ou perda de relevância | Inspecionar os URLs e analisar as consultas que perderam tráfego |
| Quebra abrupta em grande parte do site | Problema de acesso, indexação, segurança ou alterações no site; uma atualização também pode entrar na investigação | Verificar disponibilidade, indexação, segurança, ações manuais e alterações recentes |
| Visitas semelhantes, mas menos contactos | Problema no formulário, na oferta, na qualidade das visitas ou na conversão | Testar os contactos e cruzar os dados com o feedback comercial |
Estes sinais ajudam a orientar a investigação. Nenhum deles, isoladamente, confirma a causa da queda.
Menos visitas e menos pedidos precisam de análises diferentes
Mantenho o WhatsApp como uma via aberta com os meus clientes. Quando deixam de chegar pedidos, conseguimos identificar o problema e conversar sobre o que está a acontecer. Essa conversa dá contexto aos relatórios: quantos contactos chegaram, se estavam alinhados e se avançaram. Quando existe medição configurada, é importante cruzá-la com essas informações e testar os formulários.
Por exemplo, perder visitas num artigo informativo sem impacto nos contactos é diferente de perder visibilidade numa página de serviço que traz pedidos de orçamento.
O objetivo é perceber onde a empresa está a perder oportunidades. Por vezes, precisamos de melhorar uma página. Noutras situações, faz sentido complementar o SEO com outras estratégias de marketing.
Publicar 60 artigos não resolve um problema de qualidade
Uma empresa da área têxtil pediu-me um orçamento para apoiar a estratégia de SEO que desenvolvia internamente. Não avançou com a proposta, mas fui acompanhando o que publicava.
Publicavam textos genéricos, repetitivos e muito centrados em keywords. Em alguns meses, chegavam a publicar cerca de 60 artigos. Noutros, acrescentavam um parágrafo a conteúdos existentes e apresentavam-nos como atualizados. Mais tarde, deixaram de publicar no blog. Sem acesso aos seus dados internos, não posso confirmar uma penalização nem explicar essas decisões. O que pude observar foi a produção e o tipo de conteúdo publicado.
O número de artigos, isoladamente, não demonstra spam. As políticas do Google descrevem como abuso a criação de muitas páginas principalmente para manipular posições, oferecendo pouco valor ao utilizador, independentemente da forma de produção.
Também mudar a data ou acrescentar texto exige critério. Nas orientações sobre conteúdo útil, o Google questiona práticas como alterar datas sem mudanças substanciais para dar uma aparência de novidade.
Se for necessário publicar menos para melhorar a qualidade, prefiro esse caminho. Comprar um calendário de publicações não substitui uma estratégia e um trabalho bem realizado.
As melhores ideias para criação de conteúdo SEO podem estar nas conversas com clientes
Conheci uma empresa de piscinas que usava as dúvidas recebidas nas chamadas para orientar a criação de conteúdo no blog. Transformavam perguntas e dúvidas reais de clientes em peças de conteúdo que esclareciam e informavam.
A empresa tornou-se rapidamente uma referência no setor.
Por isso, quando começo a trabalhar uma marca nova, pergunto sempre quais são as dúvidas recorrentes dos clientes. O objetivo é esclarecer os potenciais clientes e ajudá-los a decidir.
Antes de procurar mais temas fora, olha para dentro. O conhecimento acumulado no atendimento, nos projetos e nas dificuldades resolvidas é matéria-prima valiosa para os conteúdos.
Por exemplo, num negócio de piscinas, a melhoria pode ter este aspeto:
| Conselho genérico | Informação que ajuda a decidir |
|---|---|
| “Compara vários orçamentos de piscinas.” | Explica como comparar escavação, equipamentos, instalação e trabalhos excluídos. |
| “Escolhe uma empresa experiente.” | Mostra projetos semelhantes e explica como a equipa resolveu dificuldades concretas. |
| “Faz a manutenção regularmente.” | Indica as tarefas, a frequência e os fatores que alteram essas necessidades, de acordo com o tipo de piscina e equipamento. |
Melhorar, juntar ou apagar um artigo?
Poucas visitas não chegam para decidir. Um artigo pode apoiar uma venda, esclarecer uma dúvida rara ou servir quem já é cliente. Antes de alterar o site, avalia a função da página:
- Melhorar: responde a uma dúvida relevante, mas está incompleta, desatualizada ou pouco clara. Acrescenta informação que ajude a decidir.
- Consolidar: várias páginas respondem à mesma necessidade com informação repetida. Reúne o que vale a pena numa página mais completa e planeia os redirecionamentos das páginas substituídas, quando adequados.
- Manter: é correta e útil, mesmo com poucas visitas. Confirma se está acessível através dos links internos relevantes.
- Considerar remover: não tem uma função clara nem valor que justifique recuperá-la. Verifica primeiro os links que recebe e se existe uma alternativa equivalente para quem a visita. Não redireciones indiscriminadamente para a homepage.
Esta é uma orientação editorial. Uma revisão mais alargada deve considerar também indexação, links e resultados comerciais.
Quanto tempo demora a recuperar posições no Google?
Não é possível dar prazos concretos. A causa da quebra, o histórico do site, a concorrência e o reconhecimento das melhorias influenciam o percurso. O Google explica que, em casos de incumprimento das políticas, os sistemas podem precisar de meses para reconhecer a conformidade após as correções.
Um investimento maior pode permitir executar mais trabalho ou corrigir problemas mais cedo.
Quando existe urgência comercial, o Google Ads pode complementar a estratégia de SEO, se houver condições para uma campanha viável. Em paralelo, continuamos a construir a presença orgânica com prioridades ajustadas aos recursos disponíveis.
O que reunir antes de pedir uma auditoria de SEO
Se vais conversar com um consultor SEO, prepara estes elementos:
- A data aproximada em que notaste a quebra.
- As alterações recentes no site: textos, URLs, formulários, tema ou migração.
- As páginas e consultas que perderam mais cliques, se tiveres acesso ao Search Console.
- A evolução dos pedidos de contacto e a sua qualidade.
- Os períodos habitualmente mais fortes ou mais fracos do negócio.
Esta informação ajuda a investigar o problema e a definir prioridades.
Na minha consultoria de SEO, começo por esse contexto: perceber o que mudou, corrigir o que precisa de correção e investir em conteúdos que ajudem os teus potenciais clientes.
Para aprofundar a relação entre IA e qualidade, lê também Google spam update: o que perceber antes de produzir mais conteúdo com IA.
Perguntas frequentes
Uma queda durante a spam update confirma que o site foi penalizado?
Não. As datas são um ponto de partida. Problemas técnicos, sazonalidade e alterações na procura também podem explicar a quebra.
Escrever sem IA protege o site de atualizações?
Não. Conteúdo escrito por pessoas também pode ser genérico ou pouco útil. A revisão deve avaliar o valor e a exatidão do que está publicado.
Devo publicar mais artigos para recuperar visitas?
Só se responderem a necessidades reais identificadas na estratégia. Aumentar o volume sem compreender a causa da queda pode desperdiçar recursos.
Devo apagar artigos com poucas visitas?
Poucas visitas, por si só, não justificam a remoção. Avalia a utilidade, o papel comercial e as possibilidades de melhorar ou consolidar o conteúdo.






